O ministro do Interior da França, Christophe Castaner, prometeu nesta sexta-feira (7/12) tolerância zero para manifestantes que causarem destruição e tumultos durante os protestos programados para este final de semana em Paris. Milhares de pessoas estão nas ruas e pontos turísticos, como a Torre Eiffel e o Museu do Louvre estão fechados, por precaução.

“Nestas últimas três semanas, vimos o nascimento de um monstro que escapou de seus criadores”, disse Castaner, em referência ao protesto que surgiu com motoristas irritados com um aumento de impostos sobre combustíveis e cresceu, se transformando num movimento generalizado contra o governo.

O ministro disse que dos 282 mil “coletes amarelos” de 17 de novembro – data do primeiro protesto –, agora restam apenas 10 mil em toda a França, ou seja, “uma pequena minoria”, na qual há pessoas pacíficas, mas também outras que “caíram na violência”.

As ações dos coletes amarelos se tornaram mais violentas na última semana, com cerca de 200 carros queimados nas ruas e lojas saqueadas. O famoso Arco do Triunfo na avenida Champs-Élysées foi pichado com frases antigoverno.

Materiais que podem ser usados como armas foram retirados das ruas de Paris nesta sexta-feira, em meio ao temor de mais violência nos protestos programados para o sábado. Diversas lojas na avenida Champs-Élysées, o epicentro da batalha há uma semana, retiraram as mercadorias dos estabelecimentos e permanecerão fechadas.

O ministro disse acreditar que na manifestação “haverá pouco mais que alguns milhares de pessoas”, mas com elementos “ultraviolentos” entre elas, e afirmou não descartar que também cheguem extremistas do exterior. O governo teme ainda a presença de armas nos protestos.

Castaner acrescentou que armas foram “descobertas” nas investigações após os distúrbios do último sábado e contou que um grupo de manifestantes roubou um fuzil de um policial que tentava escapar do incêndio de sua viatura, e que este foi espancado.

O ministro informou ainda que uma pessoa foi presa por ameaçar nas redes sociais as forças da ordem e por dizer que queria “matar a República”. Na residência do suspeito foram encontradas duas pistolas, além de material para participar de manifestações.

“Diante da violência sistemática, organizada, nossas forças responderão com firmeza”, advertiu Castaner.

A segurança será reforçada em toda a França. Cerca de 8 mil policiais foram mobilizados em Paris para acompanhar o protesto e outros 89 mil atuaram no resto do país, 12 blindados da gendarmaria foram disponibilizados para serem utilizados para remover barricadas, se necessário.

Em Paris, as medidas drásticas de segurança praticamente bloquearam o centro da cidade. Além da Torre Eiffel e dos museus do Louvre e Orsay, diversos teatros, óperas e bibliotecas não abrirão suas portas. Quase 40 estações de metrô na capital francesa serão fechadas e diversas linhas de ônibus interrompidas.

O primeiro-ministro da França, Edouard Philippe, pediu ainda para as pessoas não irem para Paris no sábado. Ele também se reuniu com as lideranças moderadas dos coletes amarelos.

Considerados os mais violentos em décadas em Paris, os protestos começaram no dia 17 de novembro, com motoristas irritados com um aumento dos impostos, e ganharam dimensões maiores, passando a incorporar queixas sobre o que seria um descaso de Macron para com os problemas das pessoas comuns e sobre suas políticas, que, segundo os manifestantes, beneficiam apenas os mais ricos.

Os chamados protestos dos “coletes amarelos” também denunciam aumentos nos gastos domésticos gerado pelo imposto sobre o diesel, que Macron justifica como sendo necessário para o combate ao aquecimento global e proteção do meio ambiente. O nome pelo qual as manifestações ficaram conhecidas se refere ao colete fluorescente de sinalização que os motoristas possuem em seus veículos.

Diante da enorme pressão das ruas, o governo da França cancelou na quarta-feira o plano de aumentar os impostos sobre os combustíveis a partir de 1º de janeiro de 2019 e pediu calma à população.

Deixe uma resposta