Quarta bancada no Senado Federal, com seis integrantes, e enfrentando a rejeição de outras legendas que pretendem protagonizar a oposição ao governo de Jair Bolsonaro (PSL), o PT tende a apoiar a candidatura de Renan Calheiros (MDB-AL) à Presidência da Casa, na eleição que ocorrerá no próximo dia 2 de fevereiro.

Sem candidato na disputa, o apoio formal do Partido dos Trabalhadores ainda não foi lançado e será alvo de discussão entre os petistas em reunião marcada para o próximo dia 29. No entanto, integrantes da legenda sinalizam que devem caminhar com o MDB, caso o alagoano seja o nome confirmado pelo partido com a maior número de senadores na próxima legislatura.

Entre os argumentos para o apoio está o respeito ao princípio da proporcionalidade, que garante à maior bancada o comando dos trabalhos. As características do emedebista também são citadas por integrantes do PT como essenciais para assumir o posto mais alto do Senado. “Vamos apoiar um perfil que tenha independência, tanto do Executivo quanto do Judiciário”, disse o senador Humberto Costa (PT-PE).

“Renan reúne estas características, assim como outros nomes, mas vamos sentar no dia 29 de janeiro para iniciar o debate sobre este assunto. Por enquanto, não temos posição fechada. Até lá, as candidaturas já estarão mais consolidadas. Só após esta reunião é que vamos fechar uma posição”, disse o senador petista.

A fama de “independente do Judiciário” de Renan vem de 2016, quando, ele peitou uma liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, que o afastava do cargo. Em um enfrentamento inédito no Legislativo, Renan conseguiu permanecer no comando do Senado, alegando independência entre os Poderes. Em julgamento posterior, o emedebista foi afastado da linha sucessória, mas obteve voto de seis ministros contra a liminar de Marco Aurélio Mello.

Já a simpatia do PT por ele é decorrente de sua postura contra caciques do MDB que articularam o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a consequente ascensão do ex-presidente Michel Temer ao cargo. Renan também foi um dos principais cabos eleitorais do PT na corrida presidencial no ano passado, garantindo vitória do candidato Fernando Haddad em Alagoas.

O senador do MDB – que tenta seu quinto mandato na condução do Senado Federal – ainda é ativo defensor, nas redes sociais, da liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (na foto abaixo, os dois políticos juntos).

Jane de Araújo/Agência Senado

 

Indefinições
Embora o apoio do PT ao emedebista seja uma tendência, fatores ainda precisam ser definidos no tabuleiro do Senado. Primeiro, Renan Calheiros precisa se oficializar como candidato, ingrediente que é bastante provável na disputa interna no MDB, mas que ainda enfrenta movimentações em torno do nome da senadora Simone Tebet (MDB-MS), mais palatável às legendas alinhadas a Bolsonaro.

Experiente, Renan não diz ser candidato e deve esticar o anúncio de seu nome até as vésperas da posse. A senadora, que é líder da bancada, por sua vez, tem estimulado a realização de uma reunião do partido para o final do mês, a fim de definir quem será o candidato do MDB à presidência da Casa.

Enquanto isso, a possibilidade de uma candidatura avulsa do MDB recebe elogios até de nomes mais alinhados ao Planalto, que já se colocaram na disputa, como do Major Olímpio (PSL-SP). Ele classificou o debate em torno do nome da senadora como “mais maduro” e que poderia evoluir para uma “candidatura única”.

O poder agregador da senadora também foi elogiado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que também tem se colocado na corrida pelo comando do Senado, mas que já prometeu abrir mão de sua candidatura, caso o MDB opte pela senadora do Mato Grosso do Sul. Enquanto Simone Tebet conta com mobilizações externas ao MDB para viabilizar sua candidatura, Renan conta com a ascendência sobre o partido.

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