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Quem é o criador da Globo?

A Globo enfrentou um erro grave com a divulgação de um powerpoint pela jornalista Andréia Sadi, da GloboNews. O pedido de desculpas pela apresentação de um gráfico sobre o Caso Master deve servir para discussões sobre a crise no jornalismo das grandes empresas, especialmente na própria Globo.

O caso é importante pela sua dimensão para a empresa. O que foi mostrado, sugerido ou omitido no material vai além do interesse apenas de profissionais da área. Ele ajuda a entender o papel político contínuo dos grandes grupos de mídia, que influenciam o que o público discute. Além disso, mostra que certas práticas, como o chamado lavajatismo, permanecem de outras formas.

Um ponto pouco comentado é a cena da apresentação do powerpoint, na sexta-feira, dia 20 de março de 2026, no programa Estúdio i. O que aconteceu ao redor da “arte” é revelador. Estavam no estúdio Andréia Sadi e os comentaristas Thomas Traumann e Arthur Dapieve. Valdo Cruz participava de forma remota por vídeo.

Andréia anunciou que mostraria no telão “personagens que de uma forma ou de outra apareceram nessa teia do Caso Master e com ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro“. O ex-presidente Lula, com sua foto no topo, foi o primeiro citado devido a uma reunião em dezembro de 2024 com Vorcaro, que teria tido como testemunhas Gabriel Galípolo e os ministros Rui Costa e Alexandre Silveira.

A jornalista continuou, citando outras pessoas a partir das fotos no quadro: Hugo Motta, Davi Alcolumbre, Alexandre de Moraes, a esposa de Moraes (que não aparecia), Ciro Nogueira, Antonio Rueda, Nikolas Ferreira, João Doria e Ricardo Lewandowski.

Traumann perguntou por que Galípolo estava lá. Andréia pediu para ele esperar, explicou sobre o PT da Bahia e o senador Jaques Wagner, e depois disse que Galípolo estava no material por ter participado da reunião. O título do painel era “Conexões de Daniel Vorcaro”.

Valdo Cruz comentou que aquilo era “só um aperitivo”, pois mais pessoas apareceriam. Ele perguntou se Dias Toffoli estava na arte, observando que não estava. Dapieve ressaltou que a arte “não significa envolvimento, mas conhecimento”, e destacou que Toffoli seria o mais envolvido.

Andréia mencionou dois diretores do Banco Central, sem nomeá-los (Beline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza), dizendo que ambos “jogaram o Banco Central no meio dessa crise”. Eles não apareciam no gráfico. Valdo disse que os diretores estavam sob investigação. Ninguém lembrou que o chefe deles era Roberto Campos Neto e que trabalhavam para Vorcaro dentro do BC.

Traumann observou que ACM Neto recebeu dinheiro de Vorcaro. Mas ninguém falou sobre Bolsonaro, Tarcísio ou o governador Ibaneis Rocha, que também receberam doações ou estavam envolvidos na compra do Master pelo Banco de Brasília.

A conversa durou 14 minutos, mas parecia sem força. Andréia a interrompeu de repente e pediu um intervalo. A jornalista não teve juízo, mas teve sorte. Se outros comentaristas como Flávia Oliveira, Marcelo Lins e Octavio Guedes estivessem presentes, o clima poderia ter ficado mais tenso.

Faltaram perguntas mais incômodas. Foram 14 minutos que pareceram uma eternidade, com os participantes parecendo não acreditar naquela encenação. A questão é quem mandou fazer aquele material, que parecia um trabalho de escola, e como todos ali ajudaram a legitimá-lo.

No pedido público de desculpas, na segunda-feira, dia 23, Andréia Sadi disse que “o material estava errado e incompleto” e que não deixava claro o critério usado. Não foi um erro comum da rotina jornalística, mas um erro grande, com impacto político, atribuído a uma arte equivocada.

O jornalismo vive de fazer perguntas. Por que a âncora seguiu a arte, se era ela quem deveria guiar o material? Por que a arte, estando errada, permaneceu no ar? O quadro foi feito por alguém da equipe e apresentado para ela comentar? Quem foi o responsável por criar aquela apresentação, que forçou quatro jornalistas a discutí-la como se tivesse base?

Por que Andréia não corrigiu a arte ao vivo, percebendo que era um material difamatório e de baixa qualidade? Quem induziu uma jornalista com sua experiência a um erro tão grave para a Globo e para o jornalismo brasileiro? Um dia, talvez, essas respostas apareçam, até mesmo com a ajuda de um powerpoint.

O caso do powerpoint na GloboNews levantou questões sobre os processos editoriais dentro da empresa. A sequência de eventos mostrou uma falha na verificação do material antes de ir ao ar. Esse tipo de incidente pode afetar a credibilidade não apenas do programa ou da jornalista, mas de toda a organização.

Além disso, a reação dos comentaristas no estúdio, que pareceram desconfortáveis mas não confrontaram diretamente o erro, também é um aspecto a ser considerado. Isso reflete a dinâmica e as pressões que podem existir em programas ao vivo, onde a correção de rumo nem sempre é fácil.

O pedido de desculpas pós-transmissão é um procedimento padrão, mas não apaga o fato de que o conteúdo impreciso foi veiculado para milhões de espectadores. A discussão sobre responsabilidade, seja do produtor da arte, da equipe de pauta ou da própria apresentadora, permanece aberta. Incidentes como esse costumam levar a revisões internas nos protocolos de checagem e controle de qualidade.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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