Um total recorde de 182 concorrerão à Câmara dos Deputados nas eleições de novembro nos Estados Unidos, informou hoje (8) a rede de televisão CNN, com base em dados do Centro para Mulheres Americanas na Política (CAWP). As primárias republicanas e democratas em quatro Estados, na terça-feira, confirmaram duas candidatas a governos estaduais e outras 11 para a Câmara

Nesse avanço das mulheres à cena política americana está a chance elevada de acesso da primeira muçulmana à Câmara dos Deputados. A democrata Rashida Tlaid venceu a primária democrata no 13º distrito de Michigan, que inclui partes de Detroit, e não terá nenhum republicano como concorrente, o que a torna a favorita na eleição.

Ontem, houve eleições primárias dos partidos democrata e republicano nos Estados de Kansas, Michigan, Missouri e Washington. Laura Kelly foi eleita candidata ao governo de Kansas, e Gretchen Whitmer, ao governo de Michigan. Ambas são democratas.

Em 2016, 167 mulheres concorreram por uma cadeira na Câmara dos Deputados. O recorde anterior de número de mulheres em disputas por governos estaduais foi batido em 1994, com dez concorrentes, segundo a CAWP. Atualmente, apenas 20% dos congressistas americanos são mulheres, e os homens devem continuar a ocupar a maior parte dos cargos eletivos.

“Estamos rastreando, claro, se vamos bater o mais importante recorde deste ano: o número de mulheres em postos eletivos públicos”, afirmou a diretora do CAWP, Debbie Walsh, em um comunicado. Para ela, os resultados das primárias de terça-feira são “lembretes de que as mulheres devem estar dentro [da competição] para vencê-la”.

Voz árabe

A vitória de Rashida Thaib na primária do 13º Distrito de Michigan antecipa sua provável eleição como deputada federal em novembro. Seu único concorrente seria o republicano John Conyers, obrigado a renuncia a seu mandato em dezembro passado por causa de alegações de abuso sexual.

Ela tende a ser a candidata única no distrito. “A vencedora da primária vai vencer a eleição. Não há dúvidas”, declarou Andy Goddeeris, chefe de sua campanha.

Nas primárias de terça-feira, Tlaib venceu pesos-pesados do establishment democrata em Detroit, a antiga capital da indústria automotiva e de fortes sindicatos de trabalhadores dos Estados Unidos. Sua principal concorrente foi a presidente da Câmara de Vereadores da cidade, Brenda Jones.

Ela tem sido apoiada desde o ano passado pela ala mais à esquerda do partido. Entre os grupos a seu lado está o Justiça para os Democratas, o mesmo que apoia a candidatura de Alexandria Ocasio-Cortez para a vaga de Nova York na Câmara.

“Rashida vê muito de si mesma em Alexandria Ocasio-Cortez”, afirmou Godderis à CNN. “Sentimos fazer parte de uma onda que vem vindo: progressistas sem remorso que não têm medo de tomar o establishment democrata.”

Filha de imigrantes palestinos, Tlaib foi a primeira mulher muçulmana a ser eleita deputada estadual no Michigan. Em entrevista à CNN em julho, ela disse que sua atuação na política não se limita à ostentação de sua fé, mas de expor o Islã de uma forma crucial e impactante no serviço público.

Há dois anos, segundo a CNN, Tlaib foi presa por interromper um discurso do presidente americano, Donald Trump, no centro de Detroit. Ela havia gritado “nossos filhos merecem mais” e dito para ele ler a Constituição.
Segundo Zaki Barzinsji, o principal contato da Casa Branca com a comunidade muçulmana do país durante o governo de Barack Obama, Tlaib é um exemplo perfeito de como apressar e conquistar um caminho certo não apenas para muçulmanos e árabes. “Mas para todos que já tenham sentido que o sistema está muito fechado eles e que não há espaço para rostos como os deles.”
“Ela pode se tornar a primeira congressista muçulmana, mas ela abriu a porta para milhões de Rashidas. Como muçulmano e árabe, pai de uma garotinha de nove meses, nunca me senti tão esperançoso sobre o futuro de minha filha”, completou Barzinsji.

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