O diretor da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e coordenador do Conselho Temático de Assuntos Tributários da entidade, Guilherme Hakme, publicou uma análise sobre os impactos da reforma tributária na indústria. Segundo ele, a partir de 2027, a reforma deixará de ser uma projeção e passará a fazer parte da rotina das empresas.
Com a entrada em vigor da reforma, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, passará a substituir o PIS e a COFINS. O Imposto Seletivo substituirá o IPI. Hakme destaca que a CBS terá uma dinâmica diferente, com não-cumulatividade plena e base ampla. A mudança deve impactar cadeias produtivas longas e complexas, comuns no setor industrial.
Para essas cadeias, a vantagem apontada é a plena vigência da não-cumulatividade. Isso significa o direito ao crédito dos tributos incidentes nas operações anteriores para compensação com os tributos na saída. Essa forma de apuração, aliada à base ampla e ao fim de ICMS e ISS, tende a evitar resíduos tributários que se acumulam e viram custo.
Hakme ressalta que o sistema não-cumulativo gera mais simplificação para a indústria. Em empresas com composição de custos diversa e operações em vários estados, o novo modelo pode ter efeitos positivos. Os pontos de atenção são a implementação do split payment e o fato de o direito ao crédito estar vinculado à liquidação financeira da operação.
Um dos grandes desafios, segundo o texto, serão as distorções de preço e a perda de competitividade durante o período de transição. As indústrias conviverão com a CBS, calculada por fora, e com o ICMS, calculado por dentro. Isso exigirá análise cuidadosa na definição de preços. A convivência entre dois sistemas tributários também aumenta o risco de passivos fiscais e litígios.
Hakme defende que as indústrias mantenham equipes dedicadas à análise dos impactos da reforma. Ele também aponta impactos para contratos de longo prazo firmados sob a lógica do sistema anterior. Desde janeiro de 2026, as empresas já estão obrigadas a emitir documentos fiscais eletrônicos com destaque da CBS e do IBS, embora ainda não haja cobrança efetiva.
Outra mudança relevante é que a localização geográfica, antes um fator importante para planejamento tributário devido a incentivos de ICMS, tende a perder relevância. Fatores como logística, infraestrutura e qualidade da mão de obra passam a ganhar maior importância. As áreas jurídica, fiscal, contábil e de tecnologia passam a desempenhar um papel crítico a partir de 2027.
