Você já deve ter ouvido falar na peste negra nas aulas de história. Na Idade Média, a também chamada peste bubônica dizimou cerca de um terço da população europeia. No último domingo (13/1), foi confirmada a presença da bactéria Yersinia pestis, responsável pela enfermidade, em uma paciente de 57 anos internada em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. A mulher foi internada com insuficiência cardíaca e com uma ferida na perna (onde foi encontrada a bactéria).

Segundo o infectologista Leandro Machado, existem três tipos de peste: a bubônica, a pneumônica e a septicêmica — a depender da quantidade de bactéria transmitida e da imunidade do paciente. Os sintomas da bubônica são dor no corpo, febre e o aparecimento de bulbos vermelhos e dolorosos bem no local onde a pulga pica (normalmente, nas pernas) ou em linfonodos (axilas e pescoço). Há cura e o tratamento para a doença é feito por meio de antibióticos. “A peste tem letalidade elevada, por isso é importante o tratamento precoce”, explica o médico.

Apesar de parecer uma doença há muito erradicada, a peste bubônica segue presente. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Novo México e a Califórnia são estados considerados perigosos pela quantidade de casos. Já na América do Sul, o Peru é o campeão de registros da doença. Aqui no Brasil, o último caso registrado foi em 2005, e as regiões de Teresópolis, no Rio de Janeiro, e do Polígono da Seca, no Nordeste, são endêmicas. “Nessa época de dengue, é complicado fazer o diagnóstico se você não está ou esteve nestas áreas. É importante buscar atendimento médico para identificar as causas dos sintomas”, continua Machado.

O ciclo da peste começa em ratos, que carregam a bactéria. Como na dengue, o animal é picado por uma pulga, que pode picar o homem e transmitir a doença. “É claro que melhorando as condições de saneamento, se combate também os roedores, que somem das cidades. Mas não há como controlar os ratos silvestres, por exemplo. O que podemos fazer é dificultar a infecção no ser humano”, ensina. Na variação pneumônica da peste, a mais letal, a bactéria é transmitida também por gotículas de saliva.

No caso da paciente do Rio de Janeiro, ainda não há informações sobre a forma de contágio: a prefeitura de São Gonçalo informa que uma equipe de zoonoses esteve na residência da mulher e não identificou vestígios de roedores. Ela está isolada enquanto passa pelo tratamento.

Segundo a assessoria de imprensa da Fiocruz, a fundação ainda não recebeu amostras da ferida da paciente para análise e confirmação do diagnóstico.

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