Eu comecei a ler um artigo sobre poluição de nitrogênio. Achei bem esquisito numa atmosfera em que 70% é nitrogênio e trata-se de um gás inerte. Como assim poluição por nitrogênio? Tão absurdo quanto isso só filme ruim que dizia que tinha um ser vivo que respirava nitrogênio e mataria todo mundo no planeta por asfixia (o fato de pessoas respirarem oxigênio pareceu irrelevante). Ao ler a publicação, soltei um palavrão, pois o que o jornaleiro responsável pelo Press Release do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estava falando é sobre poluição por nitratos e não nitrogênio.

Morra, jornaleiro maldito!

O dr. Stephen Sebestyen não é químico, mas ninguém (que não seja químico). Ele estuda águas, coisa dissolvida na água, nutrientes na água, poluentes na água, água na água, um monte de coisa na água. Ele estudaria o Tietê se tivesse água lá. Seu local de pesquisa fica em Grand Rapids, Minnesota, que fica nos EUA, mas ninguém quer ir pra lá. Só Nova York, Miami ou Califórnia. Ou ir à Disney, mesmo! Dane-se a geografia dos gringos!

A pesquisa do Tião é sobre o acúmulo de sais de nitratos que vão para a atmosfera, por meio de poluição industrial, e acaba vindo de presente com a chuva e a neve. Qual o problema do nitrato? Bem, seria que ele é ingrediente da pólvora, mas Natureza não é tão idiota para deixar tudo misturadinho assim. O nitrato é agente oxidante, e isso estimula certas reações químicas que não deveriam ocorrer em abundância. Outro problema é que nitratos são alimento, e em excesso vai acabar causando um desequilíbrio na cadeia trófica da região, causando desequilíbrio ecológico.

Nitratos em si não são metabolizados pelas plantas. Elas precisam que ele seja convertido em amônia; sem isso, nada de produzir biomassa. 3 bilhões de anos de Evolução Biológica selecionou plantas capazes de cuidar disso. Algumas plantas possuem um complexo sistema enzimático que consegue reduzir nitrato a amônia. O problema é que se o nitrato estiver em altas concentrações, mas plantas não conseguem metabolizar tudo e começa a haver o acúmulo de nitrato na planta.

Até aí estaria tudo bem, se animais vegetarianos não se aliment5assem (rufem os tambores) de vegetais. Ao se alimentarem com plantas com altos teores de nitratos, esses animais acabam apresentando quadro de intoxicação, principalmente os ruminantes. Durante a ruminação, as bactérias do trato intestinal conseguem reduzir o nitrato a nitrito, e os animais intoxicados apresentam uma série de sintomas, entre eles: anorexia, dispnéia, tremores, salivação, ranger dos dentes, contrações abdominais, andar cambaleante, as mucosas apresentam-se cianóticas, prostração, escurecimento do sangue devido a baixa oxidação e morte. A intoxicação aguda ocorre com animais que se alimentam com plantas com mais de 1% de nitratos ou que beberem água com 1500 ppm (partes por milhão) de nitratos.

Em locais com densas florestas, é de se esperar que as plantas deem conta desse festival de nitratos; só que este excesso de nitratros faz com que várias plantas menores comecem a competir por recursos com as grandes árvores, que não são tão ótimas assim para metabolizar estas substâncias. A floresta densa acaba ficando densa com plantas que não deveriam estar ali em demasia. Num mundo ideal, as plantas dariam um jeito nos nitratos. Até dão, mas as plantas erradas. E isso não é o pior.

A pesquisa de Sebestyen mostrou que as plantas não dão conta de todo nitrato por ele se mover rápido demais, lotando os córregos com sais de nitratos. Os mesmos córregos de onde os animais bebem a água, e muitas pessoas usam também. De novo: há um desenvolvimento descontrolado das plantas erradas nos lugares errados, mandando toda uma cadeia trófica pro saco, além de envenenar animais. Seres humanos também, mas estes estão em menor quantidade, e serão afetados pelos nitratos de forma indireta.

O que fazer agora? Pois é, ninguém sabe, já que uma floreta não tem como impedir de ter zilhões de toneladas de sais de nitratos caindo dos céus como um grande maná tóxico pros manés.

A pesquisa foi publicada no periódico Environmental Science & Technology

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