Se fosse um ser humano, o Tiranossauro Rex seria daqueles que bate ponto na churrascaria. Frutas e vegetais definitivamente não eram a praia dele. O bichão gostava mesmo era de carne, e nisso Jurassic Park acertou. O próprio corpo do T. Rex reunia todas as características de um caçador implacável: sua mordida era a mais forte dentre todos os animais terrestres que já viveram. Esmigalhava ossos exercendo uma pressão equivalente ao peso de pelo menos três carros pequenos.

Por falar em carro, talvez ele até fosse multado em certas ruas de São Paulo se as estimativas mais ousadas para sua velocidade estiverem certas. Alguns estudos sugerem que perseguia presas a alucinantes 70 km/h. Outros falam em 40  km/h — ainda assim, haja perna. Tudo isso fazia do Tiranossauro Rex um dos predadores mais poderosos que já existiram. Como explicar, então, um estudo recente cujos resultados sugerem que esses carnívoros inveterados eram exímios espalhadores de sementes? Eles nem comiam frutos! 

A resposta estava nas barrigas dos pobres animais que viravam comida de T. Rex. Ao se alimentarem de outras criaturas, comedores de carne também acabam com sementes em seus estômagos. Elas não são digeridas e saiam pelas fezes, promovendo uma verdadeira jardinagem não-premeditada. É por isso que o fruto é uma invenção tão genial da natureza: herbívoros são atraídos por sua suculência e acabam plantando sem querer novas árvores por aí. Uma nova pesquisa descobriu que o mesmo também valia para o Tiranossauro.

Para determinar o tempo que as sementes permaneciam na barriga do gigantesco animal, cientistas do Instituto Nacional para Estudos Ambientais em Tsukuba, no Japão, avaliaram 51 espécies de pássaros — os parentes mais próximos do lagartão que continuam por aqui. Tanto dinossauros quanto aves são bípedes (terópodes) e emplumados (celurossauros). Assim chegaram a um modelo de computador que estimou o número de dias que as sementes ficavam dentro do sistema digestivo do T. Rex: de cinco a sete.

De acordo com o pesquisador Tetsuro Yoshikawa, líder do estudo, como eles eram animais nômades, que perambulavam pelas planícies e florestas da América do Norte, isso poderia ser um indício de que dispersavam as sementes por uma grande área. “Nosso resultado é um primeiro passo para a modelagem, e as estimativas para dinossauros são bastante complicadas”, disse Yoshikawa à revista New Scientist.

Ele afirmou que é preciso ir além para entender melhor o papel do bicho na dispersão de sementes, incluindo no modelo outras variáveis como o tipo de sementes que ingeriam e a dieta como um todo. Algo realmente difícil, considerando que eles foram extintos há 66 milhões de anos e deixaram pouquíssimos vestígios. Mas que é irônico imaginar o terrível Tiranossauro Rex como o mais notável jardineiro do Cretáceo, isso é.

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