Enviado especial a Suzano (SP) – Dois alunos do Colégio Estadual Raul Brasil deixaram o Hospital Santa Maria na manhã deste sábado (16/3). Um dos estudantes chocou o país pela gravidade do ferimento. Ele correu da escola até o hospital com uma machadinha cravada no ombro.

O estudante José Vitor Ramos Lemos, de 18 anos, comemorou a alta médica. “Tudo vai melhorar isso vai passar. Lembro de várias pessoas olhando para mim na rua sem entender nada e eu pedindo ajuda e ninguém me ajudava”, contou. Sorridente e olhando para o futuro, o menino diz que quer cortar o cabelo. “Está me incomodando um pouco”, brincou.

Mesmo com o trauma provocado pelos ex-alunos da escola Guilherme Taucci Medeiros, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25, que abriram fogo contra estudantes e funcionários, José quer voltar para o colégio. “Vou voltar assim com apoio de todo mundo. As pessoas já estão me ajudando. Agora vou dar a volta por cima. Tenho muitos amigos lá”, ponderou.

O menino, agora, planeja construir seu futuro e avalia que seus sonhos estão fortalecidos. “Apesar do trauma, tenho muitos sonhos pela frente. Graças a Deus estou vivo. Tenho amigos que morreram e outros que ainda estão internados”, ressaltou.

A mãe dele, Sandra Regina Ramos, disse que não pensa em transferir o menino de colégio. “Estou muito aliviada, gostaria de agradecer a todos pelo apoio”, comemorou.

O médico responsável pelo atendimento de José, Austerino Ferreira Marques, comentou o quadro clínico do garoto. “Esse tipo de trauma, ainda mais na localização que foi, às vezes pega artérias, vasos e nervos. A minha preocupação era atendê-lo rápido. Estávamos pensando em ter que fazer enxerto, mas não foi necessário”, detalhou. Agora, o menino terá que fazer fisioterapia.

O estudante Samuel Silva Félix Também deixou o hospital no início da manhã deste sábado. Segundo os médicos, a recuperação completa do menino deve ocorrer em 90 dias. A família não deu declarações.

Veja fotos do enterro de Samuel, uma das vítimas

Veja fotos dos sepultamentos e velórios dessa quinta (14/3): 

Crime e polícia 
Segundo as autoridades locais, a chegada da polícia na cena do massacre evitou que os criminosos matassem e ferissem mais gente (23 pessoas foram atendidas em hospitais da região). As investigações apontam que a dupla criminosa planejou o massacre durante um ano.

Imagens captadas por câmeras de segurança da rua onde fica a escola e da entrada da unidade de ensino mostram os criminosos chegando ao local e o ataque às vítimas. Após Guilherme Taucci Medeiros atirar contra alunos e funcionários, Luiz Henrique de Castro atingia com golpes de machado quem já estava no chão.

Quem eram 
Os dois responsáveis pelo massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), eram ex-alunos do colégio e usaram armas atípicas para atacar estudantes e funcionários. O crime aconteceu no horário do intervalo, por volta de 9h30, quando os alunos estavam fora das salas. Dez pessoas morreram – incluindo os autores e o tio de um deles, que não estava no colégio).

Os criminosos foram identificados como Guilherme Taucci Monteiro, 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25. O aniversário de Luiz Henrique seria no próximo dia 16, quando ele faria 26 anos. Já Monteiro atingiria a maioridade no dia 5 de julho.

O veículo que foi utilizado no massacre foi roubado da concessionária do tio de Guilherme morto antes de os assassinos irem ao colégio. Tanto o comerciante quanto a dupla de executores foram sepultados nessa quinta (14), em cerimônias reservadas e acompanhadas por poucos familiares.

Veja imagens do massacre em Suzano:


Relatos
Sobreviventes contaram ao Metrópoles terem passado ao lado de corpos de amigos para escaparem da fúria dos criminosos. Um estudante chegou ao hospital mais próximo ainda com o machado usado por Luiz Henrique cravado no ombro. A notícia de que havia algo errado na escola, onde boa parte da população estudou ou tem algum conhecido matriculado, se espalhou rapidamente. Desesperados,familiares também correram para o colégio à procura de suas crianças.

Apelos pela paz
Antes mesmo da divulgação de que outras pessoas poderiam estar envolvidas no crime e circulando pela cidade, o medo de novos ataques já dominava os moradores de Suzano. A comunidade tem se unido em oração – antes dos velórios e sepultamentos, participaram de missavigília em frente à Escola Estadual Raul Brasil. Lá deixaram flores, velas e mensagens em honra aos mortos e feridos na tragédia.

Rafaela Felicciano/Metrópoles

Velas e flores no muro da Escola Professor Raul Brasil, em Suzano (SP)

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