O candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes, defendeu nesta quarta-feira (1/8) o presidente de seu partido, Carlos Lupi, ex-ministro do Trabalho e Emprego do governo de Dilma Rousseff (PT). O presidente da legenda foi um dos demitidos no primeiro ano do governo, na chamada “faxina” feita pela ex-presidente.

Ao defender Lupi em entrevista à Globonews, Ciro questionou: “Eu tenho agora que responder pelas maluquices da Dilma? Não há nenhuma representação contra ele. Não tem nada a ver”.

Perguntado se daria um cargo a Lupi em seu eventual governo, Ciro foi enfático: “O que ele desejasse. É o homem da minha absoluta confiança”.

Lupi deixou o Ministério do Trabalho após o início de uma série de denúncias de irregularidades e declarações polêmicas. Na época, sua demissão foi recomendada pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República.

Ele foi acusado de ter acumulado, durante quase cinco anos, entre 2000 e 2005, dois cargos de assessor parlamentar em órgãos públicos distintos (Câmara dos Deputados e Câmara Municipal do Rio de Janeiro). Lupi também foi apontado como funcionário “fantasma” da Câmara entre 2000 e 2006.

Baderna
Ciro Gomes ainda criticou duramente o atual funcionamento das instituições brasileiras e citou o episódio da determinação de soltura do ex-presidente Lula, ocorrido no início de julho. Para Ciro, a guerra de determinações judiciais, neste exemplo, demonstrou um “estado de baderna”.

“De 9h às 20h, assisti a cinco decisões judiciais, cada qual mais estapafúrdia que a outra, sobre o mesmo tema. Num domingo, um juiz membro de um tribunal regional, sem nenhum inovação dá um habeas corpus a um paciente condenado pelo tribunal dele, cuja constitucionalidade já demanda à instância superior, que é o Superior Tribunal de Justiça (STJ)”.

E prosseguiu: “O juiz afirma que a autoridade coautora é um juiz singular, que estava de férias. Esse juiz singular faz um ligação telefônica para o presidente do tribunal regional. Enquanto isso, o juiz que já não era mais o responsável pelo caso chama o processo para a sala dele. E o miserável do delegado de polícia federal doidinho para saber o que era para fazer. Aí o outro manda outra decisão dizendo que era “agora ou vão se ferrar”. Você imagina? Isso é um estado de baderna’, relatou.

Ciro Gomes é o terceiro presidenciável entrevistado nesta semana pela Globonews. Na última segunda-feira (30/7), jornalistas da emissora sabatinaram Alvaro Dias (Podemos). Na terça, ouviram Marina Silva (Rede).

Segundo levantamento CNI-Ibope divulgado no final de junho, Ciro Gomes soma de 4% a 8% nas intenções de voto. No cenário que inclui o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro surge em quarto lugar. Sem o petista, o ex-governador cearense fica em terceiro. Segundo a pesquisa, Ciro é rejeitado por 18% dos eleitores.

A candidatura do ex-governador do Ceará foi confirmada pelo PDT em 20 de julho. Será a terceira vez que ele concorrerá à Presidência. Em 1998, somou 7,426 milhões de votos (10,97% do total válido) e ficou em terceiro lugar. Naquele ano, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi reeleito. Em 2002, alcançou o quarto lugar, com 10,170 milhões de votos, 11,97% do total válido. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito no segundo turno.

Ciro busca um nome para concorrer como vice. Nesta quarta (1), a missão ficou mais difícil. O pedetista sofreu um revés após o PSB fechar um acordo eleitoral do PT. Os socialistas vão optar pela neutralidade na corrida presidencial. Ciro cortejava o PSB para compor chapa na disputa pelo Planalto.

No acordo, o PT não vai lançar a vereadora Marília Arraes ao governo de Pernambuco e apoiará a reeleição de Paulo Câmara (PSB). Em Minas Gerais, os socialistas não vão lançar Márcio Lacerda ao governo local e apoiarão a reeleição de Fernando Pimentel (PT). Ciro ainda não formalizou nenhuma aliança para a corrida presidencial.

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