Diabetes tipo 2 é uma doença seríssima. Só aqui no Brasil, o número de diabéticos cresceu 61,8% e há estudos apontando que 80% das pessoas com diabetes tipo 2 falecem em decorrência de problemas cardíacos. Foi pedido ajuda aos doutores. O primeiro que apareceu era um doutor em Filosofia, mas ele disse que nada se podia fazer, pois todos iríamos morrer de qualquer forma. Perguntaram a uma doutora de estudos de gênero como poderia-se combater a diabetes, mas ela alegou que querem combater só porque “diabetes” era uma palavra feminina e isso significava ação do machismo propalado pelo patriarcado opressor. Finalmente, perguntaram a uma cientista de verdade. A resposta veio com uma terapia genética.

A drª Fatima Bosch não vem de uma família de furadeiras. Ela é farmacêutica com doutorado em Bioquímica e trabalha no Centro de Biotecnologia Animal e Terapia Gênica da Universidade de Barcelona. Ela estalou o chicote basco e colocou pros estagiários para trabalharem. Conseguiram curar a obesidade e o diabetes tipo 2 em camundongos usando terapia genética.

A terapia obteve sucesso ao ser usada para o tratamento de dois modelos diferentes de obesidade, induzidos por dieta ou mutações genéticas. Além disso, os autores observaram que, quando administrada a camundongos saudáveis, a terapia gênica promoveu o envelhecimento saudável e preveniu o ganho de peso associado à idade e a resistência à insulina.

A técnica se baseia em usar o gene FGF21 (Fator de Crescimento de Fibroblastos 21) resultou em manipulação genética do fígado, tecido adiposo ou músculo esquelético para produzir continuamente a proteína FGF21. Para tanto, a drª Bosch usou um vírus adeno-associado servindo de Uber Genético e entregando o gene onde ele tem que ser entregue, implantando o mesmo dentro da carga genética de células de ratinhos. As células das cobaias começaram a se reproduzir e, ao expressar o gene novinho e recém-recebido, começou a produzir a proteína FGF21.

Terapia genética cura ratinhos com diabetes tipo 2

Os resultados? De ótimos a excelentes. O animal perdeu peso e diminuiu a resistência à insulina, o que causa o desenvolvimento de diabetes tipo 2. Isso porque a referida proteína é um hormônio secretado naturalmente por vários órgãos, mas que pacientes que possuem diabetes tipo 2 não produzem. A FGF21 atua em muitos tecidos para a manutenção do metabolismo energético correto, fazendo com que o corpo não mais rejeite insulina, que é quem efetivamente controla as taxas de açúcar e previne que haja a diabetes.

Após o tratamento com a terapia genética, os ratos perderam peso e reduziram o acúmulo de gordura e a inflamação no tecido adiposo; conteúdo de gordura (esteatose), inflamação e fibrose do fígado também foram revertidas; isso levou a um aumento da sensibilidade à insulina e ao envelhecimento saudável, sem efeitos colaterais adversos.

A pesquisa foi publicada no periódico EMBO Molecular Medicine. Mais uma terapia que em breve estará disponível, melhorando a saúde de muitas pessoas. Obrigado, Socio Ciência

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