O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo 24 que as conclusões incluídas no relatório final que o procurador especial Robert Mueller entregou ao Departamento de Justiça representam a sua “completa e total inocência”.

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, também afirmou nesta segunda-feira, 25, que Trump não teria nenhum problema com a publicação do relatório sobre a interferência da Rússia nas eleições de 2016.

“Ele está mais do que feliz que toda essa questão seja divulgada porque sabe o que aconteceu e o que não aconteceu e, francamente, todos os Estados Unidos sabem disso agora”, disse.

Em breves declarações a jornalistas no domingo, pouco antes de embarcar em um voo rumo a Washington no Aeroporto Internacional de Palm Beach, no sul da Flórida, Trump disse que as alegações de uma suposta conspiração da sua campanha eleitoral com a Rússia foram “a coisa mais ridícula”.

“Depois de uma longa análise, depois de uma longa investigação, depois de tantas pessoas terem sido lastimadas, depois de não olhar para o outro lado, onde ocorreram muitas coisas ruins, acabam de anunciar que não houve conluio com a Rússia”, comentou o presidente.

“É uma pena que o nosso país tenha tido que passar por isto. Para ser honesto, é uma pena que o presidente tenha tido que passar por isto. É uma completa e total inocência”, frisou, em declarações com as quais rompeu o silêncio que manteve desde a sexta-feira, dia em que foi anunciado o término da investigação, que durou quase dois anos.

A investigação de Mueller não encontrou provas que incriminem Trump, nem por ter conspirado com a Rússia nas eleições de 2016 nem por ter obstruído a justiça, mas deixou aberta a possibilidade de um processo criminal por esta última acusação.

“A investigação do procurador especial não detectou que a campanha de Trump ou alguma das pessoas relacionadas a ela conspirou ou coordenou com a Rússia esforços para influenciar nas eleições presidenciais dos EUA de 2016”, escreveu o procurador-geral americano, William Barr, em carta enviada neste domingo à Câmara dos Representantes e ao Senado.

De acordo com Barr, Mueller indicou que “embora este relatório conclua que o presidente (Trump) não cometeu um crime, tampouco o inocenta”. Dessa forma, o documento divulgado neste domingo deixa “sem definir se as ações e a intenção do presidente podem ser vistas como uma obstrução” à Justiça.

Barr argumentou que ele e o procurador-geral adjunto, Rod Rosenstein, concluíram que o material reunido por Mueller “não é suficiente para estabelecer se o presidente cometeu obstrução da justiça”.

Como resultado da investigação de Mueller, 34 pessoas foram acusadas, incluindo seis ex-assessores de Trump (Paul Manafort, Rick Gates, George Papadopoulos, Michael Cohen, Michael Flynn e Roger Stone) e 26 russos que provavelmente não serão julgados porque os Estados Unidos não têm acordo de extradição com a Rússia.

O relatório de Mueller não inclui novas acusações e descarta a possibilidade de Trump ficar sujeito a novas acusações sobre o tema quando deixar a Presidência. É possível, contudo, que o conteúdo do documento derive em acusações apresentadas pelas procuradorias de outros estados.

Resposta da Rússia

Em resposta ao relatório, o governo russo voltou a negar nesta segunda qualquer ingerência na eleição presidencial dos Estados Unidos em 2016.

“Não vimos o relatório de Mueller e portanto não podemos comentar”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. “Mas nossa posição de princípio (…) é conhecida: nosso país nunca interferiu nos assuntos internos de outros países, incluindo dos Estados Unidos”, completou, dizendo que as acusações americanos são sem fundamento.

“Os resultados da investigação Mueller são uma vergonha para os Estados Unidos e sua elite política”, declarou o senador russo Alexei Pushkov. “Confirmam que todas as acusações foram inventadas”, acrescentou.

(Com EFE e AFP)

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