Viajantes do futuro que quiserem prestar pessoalmente as últimas homenagens ao astrofísico britânico Stephen Hawking poderão concorrer a ingressos gratuitos para a cerimônia de enterro de suas cinzas, que ocorrerá na Abadia de Westminster, em Londres, em 15 de junho. Um lote de mil entradas será sorteado amanhã, 16 de maio, e a página em que são feitas as inscrições aceita cadastros de pessoas nascidas até 2038. Os organizadores pedem a todos que esteja pensando em comparecer (seja lá em que ano tenham vindo ao mundo) que só participem da distribuição caso estejam com passaporte em dia e possam arcar com os custos da viagem.

Hawking morreu em 14 de março após uma luta de cinco décadas contra uma doença chamada esclerose lateral amiotrófica (ELA). Foi cremado no dia 31 do mesmo mês, 17 dias após sua morte, mas só agora seus restos mortais serão depositados no mais importante templo religioso da capital britânica – ao lado de outros cientistas célebres como Charles Darwin, Ernest Rutherford e Isaac Newton. O reverendo John Hall, capelão da rainha Elizabeth II e responsável por Westminster, não está preocupado com o ateísmo assumido do homenageado. “Acreditamos ser vital que ciência e religião trabalhem juntas para buscar respostas para as grandes questões da vida e do universo”, afirmou em comunicado oficial.

Quem quiser tentar uma vaga na cerimônia de thanksgiving (como são chamados eventos desse tipo) – e não perder a oportunidade de tropeçar em Marty McFly ou Doc Brown – está em maus lençóis. Só nas primeiras 24 horas após a abertura do sorteio, 12 mil concorrentes de 50 países entraram no páreo. Os organizadores, porém, garantem que não vai rolar nada de especial: “só” o padrão da realeza britânica, com leituras e corais.

A flexibilidade anormal da ficha de inscrição é uma referência a uma das gracinhas mais célebres do professor de Cambridge: em 2009, ele organizou uma festa secreta, sem absolutamente nenhum convidado, cuja gravação, feita pelo Discovery Channel, só seria divulgada três anos depois. A ideia era simples: ao filtrar penetras do presente, Hawking estava garantindo que só as pessoas que sabiam da existência da festa – as do futuro – comparecessem. “Eu espero que um registro desse evento seja encontrado daqui a milhares de anos, para que algum aventureiro possa pegar uma máquina do tempo e vir à celebração”.

Ninguém apareceu, é claro, comprovando uma previsão bem estabelecida da Relatividade de Einstein: a de que não é possível viajar para o passado, apenas para o futuro. “Eu gosto de experimentos simples. E de champanhe”, afirmou a voz robótica triunfal do britânico.