Agora essa Nasa foi longe demais: ela acaba de divulgar um vídeo de ultradefinição que simula como é a vista a partir do buraco negro supermassivo que fica no centro da Via Láctea.

Através da combinação de simulações feitas por um supercomputador do Centro de Pesquisa Ames, na Califórnia, e dados coletados pelo observatório espacial Chandra de raios X, a agência espacial americana produziu um filme imersivo 360º – feito para te levar em uma viagem até o Sagitário A* — o pulsante coração escuro e faminto da nossa galáxia.

Se você sempre quis saber qual é a sensação de estar na beirada de um buraco negro e contemplar o dinamismo universal em todo seu esplendor, essa é a sua melhor chance. Principalmente se tiver um óculos de realidade virtual como o Samsung Gear ou o Google Cardboard, que você mesmo pode montar de graça.

As coisas se tornam meio doidas perto de um buraco negro. Se ele tivesse olhos e consciência, certamente não bateria bem depois de passar bilhões de anos imerso em um verdadeiro caleidoscópio cósmico. Na simulação, vemos uma porção de gás emissor de raios X mover-se devagar à distância, mas conforme vai se aproximando do centro da galáxia, ganha velocidade e rodopia ao redor do espectador enquanto começa a ser abocanhada pelo Sagitário A*. É o apetite de quem tem 4 milhões de vezes a massa do Sol.

A nova visualização mostra de um jeito glorioso e até meio psicodélico o que acontece quando partículas carregadas emitidas por estrelas gigantes e massivas interagem entre si e são engolidas pelo bicho papão. Boa parte dessa ventania estelar acaba virando um banquete para o esfomeado Sagitário A*. Quando esses ventos colidem, o material todo se junta em grandes aglomerados que, no vídeo, podem ser vistos fluindo organicamente para lá e para cá. Gases menos densos também aparecem sendo tragados pelo buraco negro.

Para absorver melhor tudo o que essa experiência da Nasa tem a oferecer, é importante prestar atenção nas cores. Cada tonalidade representa gases em condições diferentes, que emitem radiação em regiões distintas do espectro da luz.

Azul e ciano são usados para caracterizar emissões de raios X liberadas por gás quente, cujas temperaturas podem chegar a dezenas de milhões de graus; já o vermelho é a cor atrelada ao ultravioleta, emanado de regiões menos densas de gases menos quentes, com temperatura na casa de dezenas de milhares de graus; e, por fim, temos o amarelo, que mostra os gases mais frios e com as maiores densidades.

Colisões de aglomerados de gás resultam em aquecimento e em um flash de raios X, que se dissipam rapidamente à medida que o material gasoso esfria. Explosões de gases próximos ao buraco negro podem se chocar com o material que escapa das estrelas massivas através dos ventos — e então, mais uma vez, observa-se o cintilar dos raios X.

Se você não tem óculos VR, o aplicativo do YouTube para smartphones transmite um pouco da imersão em 360º, fazendo com que porções diferentes do vídeo sejam reveladas ao movimentar o aparelho. A maioria dos navegadores de computador também permitem clicar e arrastar o vídeo. Então já está mais do que na hora: aperte o play e boa viagem!

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