Imagens de câmeras de segurança do Metrô obtidas pela polícia e divulgadas pela defesa nesta segunda-feira (11/2), mostram que o menino Luan Silva de Oliveira, de 3 anos, morto após correr de um vagão em que estava com a família e ser atingido por um trem em uma estação do Metrô de São Paulo, correu na plataforma para dentro do túnel por uma portinhola.

O registro revela que Luan corre atrás do trem onde havia ficado a família. Menos de quatro minutos, às 11h10, uma composição passa por cima do menino. Ainda não se sabe se ele desequilibrou e caiu nos trilhos ou se pulou para continuar seguindo o trem.

A criança correu do vagão na estação Santa Cruz às 11h07. Um SMS foi enviada de dentro do trem, por uma passageira não identificada, informando que havia uma criança sem a mãe na plataforma do Metrô.

Câmeras no interior do vagão, na cabine do operador de trem e na plataforma mostram os passos do garotos até entrar no túnel. As imagens são fortes.

Às 11h45, o Metrô comunicou os operadores de trem. Não há informações sobre o número de trens que passaram por cima do corpo da criança. Somente às 12h08, mais de uma hora depois que Luan correu do vagão, funcionários tiveram autorização do Centro de Controle Operacional do Metrô para entrar no túnel.

O advogado da família, Ariel de Castro Alves, disse que pedirá a reconstituição do caso. Também serão solicitadas informações sobre por que os funcionários da Central de Monitoramento das Câmeras do Metrô não acompanharam a fuga da criança e por que demoraram para agir, explica o advogado. Segundo ele, as imagens revelam que a mãe não teve culpa, como o ex-marido e outras pessoas estariam atribuindo. “Ela fez o que estava ao alcance dela”, afirma.

Com o rápido acesso que Luan teve da plataforma para o túnel, através de uma portinhola, Alves diz ainda que as imagens mostram que o Metrô é um local inseguro para crianças. “Felizmente essas tragédias não acontecem todo dia, mas poderiam”, diz.

Segundo a defesa, o laudo do Instituto de Criminalística (IC) aponta que, no acesso ao túnel do Metrô onde Luan entrou tem um diminuto portão, sem travamento, “e que basta uma leve pressão para passar pelo local.”

Um mês e meio após o caso, a mãe Lineia Oliveira Santos, de 26 anos, conta que tem dificuldades para dormir desde que o filho morreu. “Quando durmo, voltam as imagens. Fico pensando que não era para ter saído de casa. Talvez isso não tivesse acontecido”, diz.

Em dezembro, a mãe estava grávida de um mês e meio, mas perdeu a criança após a morte de Luan. Linéia afirma que foi muito julgada pelo caso, inclusive pelo ex-marido, pai das crianças. “Uns falaram que eu empurrei meu filho, outros perguntaram por que soltei a mão dele”, diz. “Meu ex-marido falou que ia entrar na Justiça e pedir a guarda das crianças. Agora ele quer ser pai. Mas eu não vou deixar meus filhos ficarem com ele.”

O caso
No dia 23 de dezembro, às 11 horas, Linéia, o marido, o sogro e os três filhos da mulher seguiam pela Linha 1-Azul do Metrô no sentido Jabaquara, onde pegariam um ônibus para passar o Natal na Baixada Santista. Como o vagão estava cheio, Linéia se sentou perto da porta com Luan no colo e outro filho, de 7 anos, no banco ao lado. No chão, ela colocou uma mochila. Já o sogro, o marido e a filha de 9 anos ficaram em outro ponto do vagão.

Segundo relato de Linéia à polícia, quando a composição parou na Estação Santa Cruz, o sogro a chamou para que sentassem todos juntos. Ela, então, se levantou e colocou Luan na sua frente. Uma bolsa que carregava caiu e, ao se abaixar para pegá-la, o menino saiu correndo pela porta, que em seguida se fechou. Laudo do Instituto de Criminalística aponta, segundo o advogado da família, que o filho e a mochila no colo acabaram prejudicando a saída da mãe do vagão.

Ela e o marido desceram na estação seguinte, procuraram um funcionário, mas não encontraram nenhum na plataforma. Subindo em direção às catracas da Estação Praça da Árvore, Linéia conseguiu, então acionar seguranças do Metrô, que a acompanharam de volta à Estação Santa Cruz, onde, segundo relata, aguardou por aproximadamente duas horas para, então, receber informações desencontradas de funcionários.

De acordo com a defesa, aproximadamente duas horas depois que o menino escapou, ela recebeu informações desencontradas de funcionários do Metrô sobre o estado de saúde de Luan. Alguns teriam dito que o menino estava bem; outros, que Luan foi encontrado morto.

Em nota, o Metrô disse que a investigação está em curso e as informações solicitadas já foram prestadas pelo Metrô à Autoridade Policial.

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