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Globo perdeu metade do público? O que a Copa de 2026 revela

Há quase uma década, a TV Globo afirmava alcançar 100 milhões de brasileiros todos os dias. Hoje, em plena Copa do Mundo, comemora ter reunido a exata metade desse número: 50 milhões. A diferença diz muito sobre o atual momento da mídia no Brasil e no mundo.

Lançada em outubro de 2017, a campanha 100 Milhões de Uns destacava que a TV Globo alcançava, em média, 98 milhões de espectadores ao longo de 24 horas. A empresa ainda destacava uma média de 14 milhões acessando diariamente suas propriedades digitais, como G1, Gshow e Globoplay.

A iniciativa era uma demonstração de força do grupo em um momento em que a atenção do público começava a se fragmentar. Era também uma resposta ao avanço da publicidade nas plataformas digitais, enquanto a TV aberta seguia apostando na personalização junto do alcance em massa. O número representava quase metade da população do Brasil na época.

Nove anos depois, o cenário mudou. Na Copa do Mundo, a mesma Globo diz ter alcançado 46,4 milhões de pessoas com a partida de abertura, entre México e África do Sul. O número reúne os espectadores do canal aberto, do Sportv e do Ge TV. Já a estreia do Brasil no torneio, o empate contra Marrocos, alcançou 49,9 milhões, segundo a empresa — o que representa cerca de 23% da população do país.

Considerando a aferição do Ibope, a queda segue quase o mesmo padrão. Na estreia brasileira na Copa de 2018, a emissora marcou 55,2 pontos no Painel Nacional de Televisão (PNT). Em 2022, com a CazéTV operando, a audiência foi de 51 pontos. Em 2026, foram registrados 33 pontos, com 55% de share.

Há uma ressalva importante. O alcance diário divulgado em 2017 era o acumulado ao longo de 24 horas. Já um jogo é um evento de poucas horas. Por outro lado, se nem a Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo consegue chegar perto dos 100 milhões, isso ajuda a dimensionar o quanto o Brasil de 2026 é mais fragmentado do que o de 2017.

A queda de alcance é reflexo direto de um mercado audiovisual muito diferente. Em 2018, os brasileiros podiam acompanhar a Copa apenas por Globo e, na TV fechada, Sportv e Fox Sports. Na Copa de 2022, o grupo carioca abriu mão da exclusividade nos direitos de transmissão na internet, o que deu espaço para a CazéTV no YouTube.

Para a Copa de 2026, o cenário virou: é a CazéTV que tem todo o torneio, com a Globo sublicenciando cerca de metade dos jogos. No YouTube, a partida entre Brasil e Marrocos teve pico de mais de 12 milhões de views simultâneos. O SBT, em parceria com a N Sports, também garantiu partidas e trouxe Galvão Bueno para narrar os jogos da Seleção.

A mudança é ainda mais profunda. Se em 2017 a televisão tradicional já concorria com YouTube, Netflix e redes sociais, em 2026 vivemos o auge das plataformas de vídeos curtos, como TikTok e Instagram. O smartphone deixou de ser a segunda tela para se tornar o centro das atenções. O próprio Grupo Globo lançou o GloboPop em abril.

Cresce entre os jovens o hábito de consumir cortes, trechos e memes do evento esportivo, sem assistir à partida na íntegra. Além disso, o cenário favorece o crescimento do público que simplesmente não vê nada do torneio. A métrica mais disputada hoje pela mídia já não é apenas o alcance, mas o tempo de atenção.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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