O Brasil tem hoje um desafio importante: um mata-mata decisivo contra um adversário forte do futebol europeu. O peso do passado recente também pesa, já que os dois últimos confrontos contra europeus nessa fase foram traumáticos. As eliminações diante da Bélgica em 2018 e da Croácia em 2022 ainda deixam cicatrizes e um sentimento de desconfiança no ar.
O cenário atual, porém, guarda um sopro de otimismo. A Seleção Brasileira reconquistou um pouco da confiança do torcedor após uma classificação em primeiro lugar na fase de grupos e uma vitória sobre o Japão nos 16 avos de final. O time dá sinais de brio, mas o maior adversário fora das quatro linhas parece ser o “fogo amigo”.
Chama a atenção a persistência de um contingente de cerca de 10% da população que, segundo pesquisas recentes, prefere torcer abertamente contra o próprio país. Esse fenômeno não se restringe às arquibancadas ou às redes sociais. Ele também ecoa nos microfones e nas redações.
Há uma ala da crônica esportiva que parece ter decretado o divórcio afetivo da camisa amarela. Ela disfarça de “crítica técnica” uma torcida fervorosa pelo tropeço. É legítimo apontar erros e questionar gestões, mas o que se vê em muitos casos vai além do jornalismo analítico.
O que se vê é um exercício de egoísmo exacerbado fantasiado de opinião. Essa categoria de profissionais da imprensa torce pelo fracasso do Brasil por um motivo: o desejo de, no dia seguinte à tragédia, decretar o “eu não avisei?”. Para esses, o triunfo do próprio ego e a vaidade de estar “certo” valem mais do que a alegria de todo um povo.
