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Economia

Trigo: colheita avança e clima no RS ameaça preços da safra

Paraná já colhe parte do cereal com boa qualidade, enquanto chuva excessiva no Rio Grande do Sul acende alerta entre produtores
Atualizado em 29 de agosto de 20264 min de leitura
Trigo: colheita avança e clima no RS ameaça preços da safra

A colheita da nova safra de trigo começou a avançar no Paraná nesta última semana de agosto de 2026, ampliando aos poucos a oferta do cereal no mercado interno, enquanto o excesso de chuva no Rio Grande do Sul preocupa produtores e pode limitar a queda esperada nos preços. A informação é do Portal do Agronegócio, que ouviu o analista Elcio Bento, da Safras & Mercado.

O momento é sensível para quem depende do trigo no dia a dia, seja produtor rural, moinho ou trading. Isso porque, apesar de a colheita normalmente empurrar os preços para baixo à medida que aumenta a oferta, esse efeito ainda não se confirmou de forma ampla. Compradores e vendedores seguem em compasso de espera, atentos ao resultado real das lavouras antes de fechar negócios maiores.

O que muda para quem produz e compra trigo agora

No Paraná, apenas 1% da área plantada havia sido colhida até 21 de agosto, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ainda assim, 93% das lavouras do estado estavam classificadas em boas condições, o que alimenta a expectativa de uma colheita de qualidade nas próximas semanas.

O preço de referência no estado ficou em torno de R$ 1.480 por tonelada, mas já reflete negociações voltadas para a safra nova. Nos Campos Gerais, os valores oscilaram entre R$ 1.400 e R$ 1.450 por tonelada, dependendo do prazo de entrega, enquanto no Norte do Paraná as propostas para setembro giraram perto de R$ 1.400.

Considerando os oito principais estados produtores do país, a Conab registrou 6,7% da área nacional colhida até a mesma data. O ritmo ainda inicial explica por que os preços seguem sustentados mesmo com a expectativa de mais oferta chegando ao mercado.

Chuva no Rio Grande do Sul é o principal ponto de atenção

Enquanto o Paraná caminha para uma colheita favorável, o cenário no Rio Grande do Sul preocupa. O excesso de chuva, combinado com nebulosidade persistente e pouca incidência de radiação solar, aumenta o risco de doenças fúngicas nas lavouras gaúchas, ainda de acordo com o levantamento do Portal do Agronegócio.

Na prática, isso pode comprometer não só a quantidade de trigo colhida, mas também a qualidade do grão, afetando indicadores usados pela indústria, como peso hectolítrico e força do glúten. Quando isso acontece, cresce a diferença de preço entre o trigo de qualidade superior, destinado à moagem, e os lotes de padrão inferior, direcionados à alimentação animal.

No mercado gaúcho, o trigo disponível de padrão considerado normal foi negociado perto de R$ 1.350 por tonelada, enquanto lotes de qualidade superior chegaram a R$ 1.400. Já as indicações para a safra nova no porto ficaram próximas de R$ 1.260 por tonelada, patamar mais baixo, mas que ainda não anima os produtores a vender antecipadamente.

Câmbio e trigo argentino também entram na conta

Do lado externo, o trigo argentino, um dos principais fornecedores do cereal ao Brasil, foi cotado próximo de US$ 250 por tonelada. Esse valor costuma pressionar o preço interno, já que o produto vizinho compete diretamente com o trigo nacional.

O dólar cotado ao redor de R$ 5,15, porém, reduz parte desse efeito. Com o real mais valorizado, a conversão do trigo argentino para reais fica menos custosa, o que barateia relativamente o produto importado e ajuda a explicar por que a valorização externa não se traduziu integralmente em alta no mercado brasileiro.

Segundo Bento, à Safras & Mercado, essa combinação de câmbio e cotação internacional é um dos fatores que os moinhos e tradings monitoram de perto antes de definir volumes de compra para os próximos meses.

O que observar nas próximas semanas

Produtores de trigo no Paraná devem acompanhar o ritmo da colheita e a confirmação de produtividade nas próximas semanas, já que esse é o fator que pode intensificar a pressão de baixa nos preços do estado. Quem ainda não vendeu a produção tem argumento para aguardar mais clareza antes de fixar contratos.

No Rio Grande do Sul, o alerta é para o clima. Produtores devem monitorar previsões de chuva e adotar, quando possível, manejo preventivo contra doenças fúngicas, já que perdas de qualidade podem reduzir o valor recebido pelo grão mesmo que o volume colhido não caia tanto.

Para moinhos e compradores, a orientação que emerge do comportamento do mercado é não antecipar grandes volumes de compra até que produtividade e qualidade estejam mais claras, tanto no Sul quanto no restante do país. O Portal do Agronegócio não trouxe estimativa de prazo para essa definição, e não há indicação oficial sobre quando o quadro deve se estabilizar. O acompanhamento semanal da colheita pela Conab segue sendo a referência mais confiável disponível até o momento.

Fontes consultadas

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