Ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, 70, está de volta. Preso duas vezes pelos escândalos que atingiram o partido, o mensalão e a Lava Jato, ele quer se candidatar a deputado federal em 2026 por Goiás, seu estado natal. Ele não será o único mensaleiro a retornar às urnas. O ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado federal João Paulo Cunha também tentarão vagas na Câmara dos Deputados.
“Não estamos voltando para ter resgate de nada. É porque há uma necessidade de ampliar a bancada do PT”, disse Delúbio nesta segunda-feira (15), em entrevista. Em duas horas de conversa por videochamada, ele defendeu sua inocência. Com a bandeira do PT ao fundo, camisa polo vermelha, broche do partido e um chapéu-panamá, ele se referiu ao mensalão como “ação penal 470”, número do processo no STF (Supremo Tribunal Federal).
Para ele, a denúncia foi a porta de entrada para anos de perseguição política ao PT. Apontado como operador do mensalão, Delúbio sempre negou o pagamento de mesada a deputados aliados, mas admitiu a existência de caixa dois em campanhas petistas e assumiu a responsabilidade pela prática. Ele foi condenado a 6 anos e 8 meses de prisão por corrupção ativa, cumpriu pena por mais de dois anos e recebeu indulto em março de 2016.
Dois anos depois, foi condenado a seis anos de prisão pela Lava Jato sob acusação de obter empréstimos fraudulentos. A prisão foi revogada em novembro de 2019, quando o STF decidiu que a pena só poderia ser cumprida após o esgotamento de todos os recursos. Em 2023, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou a sentença, entendendo que a tramitação deveria ter ocorrido na Justiça Eleitoral.
Delúbio afirma que não fez nada de errado, chama outros presos da Lava Jato de “colegas de infortúnio” e reduz suas agruras a situações “da política”. Ele diz não guardar mágoas nem mesmo de sua expulsão do PT, partido que ajudou a fundar. Abraçado por Lula publicamente no início do mês, Delúbio foi citado pelo presidente em um discurso que pedia reparação pelos “erros que cometemos”.
Questionado sobre o motivo de sua volta à política, Delúbio afirmou que quer estar no Congresso para ajudar Lula a governar e aumentar a bancada progressista de Goiás. Ele defende pautas como energia, transporte e educação, incluindo a criação de um fundo soberano para a educação básica. Sobre a negociação com o Congresso, ele disse que é um “jogo de interesses que não mudou”.
Delúbio afirmou que não pensou em se filiar a outro partido durante sua expulsão, pois é fundador do PT. Sobre a reeleição de Lula, ele disse que a eleição é vital para o país e que é preciso trabalhar para que em 2030 poucas pessoas necessitem do Bolsa Família. Ele também comentou que o PT sofreu um desgaste com os escândalos, mas que a juventude precisa entender o que aconteceu para evitar que novas gerações passem pelo mesmo.
