Gallardo escolheu deixar o River e encerrar seu segundo ciclo no clube. Ele se apresentou no banco de reservas para o segundo tempo contra o Vélez, mas já havia deixado de ser o treinador do River. Seu corpo estava lá, com as mãos nos bolsos, tentando empatar com algumas mudanças. Sua mente, no entanto, estava em outro lugar. Ele, que sempre defendeu a ideia de acreditar, havia perdido a confiança. Uma mistura de raiva e resignação.
Após outra derrota dolorosa, sua primeira decisão foi cancelar a coletiva de imprensa. “Não vejo respostas”, sussurrou para uma pessoa próxima, depois de cumprimentar cada um dos jogadores. Pouco depois, vazou a notícia de que ele havia pedido “24 horas para refletir” sobre o que faria. Na verdade, era confirmar publicamente ou não no dia seguinte a decisão que já havia tomado internamente: deixar seu clube na sexta rodada do torneio local.
Ninguém poderá tirar Gallardo da bandeira do River. Ele se tornou um ídolo como treinador, depois de ter sido um jogador valioso e amado por ser da casa. Em sua avaliação, é claro, há autocrítica. E uma grande decepção por uma equipe que não representa seus fãs. Há um fato devastador: o River não conseguiu vencer nenhum dos 19 jogos que começou perdendo por 1-0. Uma equipe sem caráter é o pior para Gallardo.
Os jogadores não responderam a ele. E muitos nomes aparecem na lista de Gallardo, que gastou 85 milhões de dólares desde seu retorno. A ideia não era um brinde na tesouraria, mas uma volta olímpica no campo. Nesse aspecto, há responsabilidade na escolha do treinador, o dono do projeto de futebol do clube.
Gallardo tinha tudo na cabeça ao chegar ao River Camp, por volta das 4 da tarde. Ele telefonou para Stéfano Di Carlo para confirmar sua decisão. Pouco depois, o novo presidente, que em uma jogada astuta havia renovado seu contrato antes do superclássico, correu até Ezeiza para falar pessoalmente. Já estavam cientes de tudo o corpo técnico e Francescoli.
Gallardo foi ao campo 1 para gravar o anúncio oficial que foi publicado nas redes sociais do clube. Houve isolamento de celulares para que apenas ele anunciasse sua decisão. Em seus exatos dois minutos sem roteiro, que gravou apenas uma vez, ele expressou sua dor, agradeceu aos fãs, elogiou o crescimento institucional, mas não mencionou os jogadores. Até que parou de falar, colocou a mão no coração e saiu de cena. Já era hora de voltar a ser uma estátua.
